Tuesday, November 29, 2005

Ao meu amor, com amor

Amo-te tanto que até dói
Amo-te com todo meu coração,
Minha alma, minhas artérias
Meu rim e toda a minha palma-calma
que sempre se invade com o
mar da minha insanidade
Amo-te com minha fé
Com minhas mãos e pés
Esses que me faz seguir
e te acompanhar pelos fios
que vc insiste em trilhar
Amo-te com tudo que há em mim
E até com o que não há
Amo-te com meu Sol, e minha chuva
Com minha lua e todos os meus papéis.
Amo-te total e absolutamente
Com todos os seus adjetivos ímpares,
minhas reticências infinitas
e meus incontáveis pleonasmos
Amo-te cega e veneradamente
Com minhas pétalas e chamas
Meus orvalhos de voltas e revoltas
Amo-te como meu chão e como meu céu
Como meu Apolo que me [en]canta músicas
E poesias nos jardins do nosso amor-perfeito
Amo-te...

Friday, November 25, 2005

Casamento

Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.

(Adélia Prado)

Sunday, November 20, 2005

Mais inSANidades...

A vida sempre nos traz maravilhosas surpresas...

E uma delas foi a recente amizade que fiz, com uma pessoa que já me é muito querida e especial.
O meu outro pólo [ Pq a minha metade eu já encontrei "Shamanicamente"...Diria]

E além de termos muitos aspectos em comum, afinidades raramente sentidas as nossas fotos se completariam no avatar do Orkut...Ele do nariz pra cima e eu do nariz pra baixo...

"O quebra-cabeça da minha
escuridão despedaçada
E da sua luz desmontada

Os olhos que eu não saboreio
E a boca que você não enxerga.."

Sim, o Gilmour´"Wild Fire Horse" é assim...

E mais, olha só o maravilhoso blog dele...
Babei já inicialmete pelo nome do recinto e depois pelo Gilmour...Hehehe!

http://noitesinsanas.blogspot.com/

Grande poeta!

O canto dos cronópios

"Quando os cronópios cantam suas canções preferidas, ficam de tal maneira entusiasmados que frequentemente se deixam atropelar por camiões e ciclistas, caem da janela e perdem o que tinham nos bolsos e até a conta dos dias. Quando um cronópio canta, as esperanças e os famas acorrem a ouvi-lo embora não compreendam muito seu arrebatamento e em geral se mostrem um tanto escandalizados. No meio da roda o cronópio suspende seus bracinhos como se segurasse o sol, como se o céu fosse uma bandeja e o sol a cabeça do Batista, de forma que a canção do cronópio é Salomé nua dançando para os famas e as esperanças que ali estão boquiabertos e perguntando-se se o senhor padre, se as conveniências. Mas como no fundo São bons (os famas são bons e as esperanças bobas) acabam aplaudindo o cronópio, que se recupera sobressaltado, olha em redor e começa também a aplaudir, coitadinho. "

Julio Cortázar

Saturday, November 19, 2005

E assim
esperarei novamente
o inteiro despedaçar-se
no meu caminho
e no jardim oblíquo
remontaremos tangrans
e as flores do meu quintal

perdidas

Tuesday, November 15, 2005

Des-abores
Des-amores
Des-colores
Bem que minha mãe me falava...
Andar
Des-calça
Machuca o coração...

Friday, November 11, 2005

Da sua ausência

Querido,
Hoje coloquei o lençol no varal...O nosso lençol azul-violeta [descobri outra cor que dá a mesma sensação do rosa]...
Parei diante dele e comecei a escrever nossos versos de amor tantas vezes sussurradas sobre ele, a poesia dos nossos gestos, dos desejos e anseios que infinitas vezes nos queimaram ali mesmo...Cifrei cada nota das melodias que já nos embalaram...Desenhei cada curva dos nossos corpos amarrados entre nós mesmos, e pintei o ângulo mais belo do seu olhar...Gravei alguns flashes do nosso amor materializado e infinitas vezes testemunhados por ele...Bordei nela as nossas risadas com os fios dos seus cabelos deixados por lá...E também, meu amor, costurei alguns retalhos dos nossos sonhos nunca planejados ainda, o nosso jardim florido, o rio que cortaria o nosso pomar e nossos lindos cãezinhos pastores...
E enquanto [re]vivo essa minha saudade de vc, fico sentada próximo ao nosso lençol esperando que ele me acaricie, ou que o vento se encarregue de dar a forma de cada traço talhado, ou que nos envolva novamente nas noites frias...Ou o que vier primeiro....

Tuesday, November 08, 2005

Divagações matinais

Hoje comprei pêssegos e um vaso de violetas rosas na feira aqui da vila...
E entre uma mordida e outra do meu pastel senti o calor do vento...Não, não do pastel...Mas era um calor igualmente intrigante...E durante a minha caminhada na feira, reparei que é uma sensação boa estar no meio de algo que após algumas horas não estará mais lá, mas que daqui a sete dias voltará lá de novo...A mesma banca de pastel, a mesma senhora que embala as flores, o mesmo garoto que dispõe as frutas no tabuleiro pra depois indispor de lá...
Inconstâncias constantes da vida??? As feiras livres são livres mesmo???

Sunday, November 06, 2005

Das esperas # 2

Mais uma vez dobro minhas pálpebras
e verto meu sorriso em lágrimas
porque do resto eu já sei...
Não te aguardo e nem te guardo mais
Muito menos quero saber onde anda o amor
Sim, aquele que me transbordava em graças...
Considerações consigo desconsideradas
Há um calo no meu silêncio
Interrogo minhas ácidas palavras inexistentes
Nas suas verbalizações e repetitivas desculpas
Os seus eternos blá blá blás
Nos teus gestos e nas tuas atitudes
que dissimulam as minhas angústias
Concluo:
Eu sou a melodia triste e solitária dos sábados chuvosos
Eu, inSANa
Inconstante
Multipolar
Adjacente e
Minguante.

Das esperas # 1

Um vento que beija a mão
A violeta que perfuma o ego
pinta e borra nublando a alma
Nada vai mudar...
Os sapatos continuam no mesmo lugar
Silêncio dos passos únicos
Incertezas dos gestos
Eternos indos e vindos

Saturday, November 05, 2005

Lembra, lembra, lembra, lembra???

...Eu lembro meu bem,
mas o que adianta
se seu amor te esqueceu?

Wednesday, November 02, 2005

Finados é pra quem morreu ou pra quem vive?

Hoje acordei com a ligação da minha avó cobrando a minha visita ao túmulo da família. Maneira horrível de ser acordada. Ainda mais uma pessoa agnóstica como eu...Pior de tudo, acabei de receber outra ligação dela confirmando se fui visitar minha tia, meu irmão e meu avô..."Claro que fui!" - Tive que mentir.
É estranho como somos condicionados desde pequenos a acreditar em coisas que nunca questionamos. Somos levados a aceitar que Deus existe e que os nossos familiares, depois de mortos estão nos protegendo, estejam onde estiverem. Porque enquanto vivos, por mais ruim que aquele seu primo canalha seja, quando morrer ele vai pro céu e vira o Santo imaculado da família. E todo dia de finados somos obrigados a hipocritamente lembrar apenas das boas ações do falecido. É proibido falar mal de quem já morreu.
Muitas pessoas devem me achar insensível, como muitos da minha família. Já tive que ouvir em resposta à um comentário : "É porque não é sua mãe ou seu pai quem morreu." Pode até ser, mas duvido que depois de ter eles mortos vou estar mais próxima reverenciando-os em cemitérios ou em orações.
E como se mudasse muita coisa. De qualquer modo eles estão longe de mim, e não posso abraçá-los ao mesmo tempo não tenho nem como levar flores à eles também. Saudade a gente sente até de quem tá vivo.
O fato de eu não gostar de ir em cemitérios (pra esses fins) não significa que não tenho respeito aos que já foram. Muito pelo contrário, falta de respeito é te impor algo, ser condicionado à determinada data fazer média em cemitério. Sem direito a questionamento algum.
Ou para os que acreditam em vida pós morte. Imaginem uma passagem bem a la Penadinho. Dia de Finados, aquela movimentação toda no cemitério, vendedores de flores, velas. A comitiva de outras cidades, a barulheira, as fofocas das tias carolas bem em cima do túmulo, a sujeira, o fedor de incenso e velas...Isso também seria um desrespeito à algumas almas que querem mais é descansar em paz...
Já passei por diversas religiões. Já frequentei centros espíritas, igrejas católicas, templos budistas, já fui adepta do "materialismo saudável" do Johrei...E hoje, eu não acredito em vida depois da morte. Não acredito em muitas passagens da Bíblia. Não acredito em hospitais de almas, espíritos, reencarnações, e afins. Pra mim isso é apenas uma maneira para anemizar a dor da perda de alguém querido, pra ser mais fácil aceitarmos a morte.
Assim como questiono muito sobre Deus. Como já dizia Nietzche, Deus é invenção do homem.
E antes de alguém vir atacar, o fato de crer ou não em Deus , não significa que vamos ter más condutas ou que somos ruins. Pelo contrário, conheço muitos ateus e agnósticos com corações nobres demais, assim como conheço cristãos e crentes que não valem um pedido que fazem nas suas orações (Até pq a maioria das orações são pedidos descarados de algo : proteção, saúde, bem material, felicidade, ou mesmo agradecimento por algo conquistado pra continuarem recebendo a graça posteriormente). Já vi até gente mudar de religião porque "Santo Fulano" não lhe concedeu um pedido.
Adoro cemitérios sim, mas pra lazer...Pra construir histórias de pessoas que já morreram e nunca vi na minha vida...Pra ver a beleza das artes que existem em muitos cemitérios da cidade, pra estudar a história da comunidade. Mas não pra me enganar e sentir me mais próxima de quem já sinto através de doces lembranças, sem precisar ir onde foram enterrados os restos mortais da pessoa.
Se for assim, como a maioria acredita, quando morrer quero que me enterrem no México e me levem todo ano uma garrafa de tequila ao som de Woman from Tokyo e The Number of the Beast...Como reza a tradição lá...Muita festa e bebedeira no dia de finados...Mas sem velas e incensos, por favor.

Tuesday, November 01, 2005

Pronuncias Prenunciadas

Sabe por que nunca havia postado meus poemas escritos antes?
Depois que releio fico com a sensação óbvia do ridículo...
Como um amor que se foi para sempre...

Vou tentar me controlar e dar férias aos meus poemas.
Pelo que vejo até os frequentadores desse blog se cansaram...

Desanestesias do segundo ato

Congruente e amargo
Um ciclo fechado
Uma ode, um nada
em preto e branco
um tango, um bolero
num filme antigo
que ninguém mais vê...

[Mas se ninguém vê...Por que ainda dói muito???]

Se você fosse uma flor...

...
Seria como a pedra,
que segura a correnteza
Como uma nuvem branca
em céu nublado de inverno
A pálpebra num
não piscar de olhos
A estrela invertida
Nos escombros do sol
E eu seria uma borboleta
Que bem-te-vejo
como uma flor Ciclame
Caio Fernando Abreu sempre me devolve o meu lado poético...

Quem não conhece, deveria ler algo dele...

“ (...) No meio do rio, eu via a pedra. A única naquela extensão azul de água, o pico negro erguido em inesperada fragilidade na solidão. Eu não tinha instrumentos para caminhar até ela, a pedra, toma-la nos braços , por um instante debruçar minha ternura sobre seu isolamento num absurdo desejo de que em sua insensibilidade de coisa ela se fizesse sensível e , assim suavizada, contivesse o desespero amparando-se em mim. (...)"

“ Fragmento do “ Diálogo” - Inventário do Ir- remediável