Wednesday, December 28, 2005

Hoje tô de Maul...

"I´d sacrifice my best life
to have you at my side
like a dream I see your face
throught the mistic haze
we were amid the Stars
and time never healed my scars
deep in side the fire burns
I must return"

Saturday, December 24, 2005

Give me a reason...

Glory Box - Portishead

I'm so tired of playing,
Playing with this bow and arrow,
Gonna give my heart away,
Leave it to the other girls to play.
For I've been a tempteress too long,
Give me a reason to love you,
Give me a reason to be a woman,
I just want to be a woman
From this time unchained,
We're all looking at a different picture,
Through this new frame of mind,
A thousand flowers could bloom,
Move over and give us some room
So don't you stop being a man,
Just take a little look from outside when you can,
Sow a little tenderness,
No matter if you cry
Its all I want to be, a woman
So I just want to be a woman,
For this is the beginning of forever and ever
Its time to move over now,
(So I want to be)

Wednesday, December 07, 2005

Do nosso grito

E foi no meio desse delírio dormente
Nutri o que meu coração insone clamava
A voz da minha alma tão só e ardente
Por seu suave calor implorava

O grito febril que, com desdém me tomava
E me atirava no abismo de agonias
O grito latejante que outrora me curava
Mas agora em meu pobre leito desafina

O grito insuportável, que emudece a beleza
Descobre a carne insana e mascarada
O grito petrificado de entonações da realeza
E que jorra o calor latejante da dor desgraçada

E como uma flor perfumada e leviana
Os meus lábios procuram os seus em sonhos
E cala o grito que rasga ao vento e sangra
Sufocando calorosamente os suspiros dos olhos

(Ilustração, by Maul)

Tuesday, December 06, 2005

Ele vomita grosserias
e dedos absortos de tanto pen[s]ar
mutilados e em relutância
Ela ali então,
falseia um bem estar
e envolve no canto desesperado
gemidos dissonantes.
Náuseas magentas pigmentam o ar
Ecaaaa!
[Eco]
Aaaaarrrghhhhhhhhhh!!!!
Gritos
A encomenda sem remetente
que reclama a carne rasgada
de prantos e na tentativa inútil de anemizar a dor
Ódio
Grrrrrrr(ritos)
E a rotina-ritual-redundante
que transformam mãos incompletas em eternidades.
Sete dedos na mão como caminhos a apontar
afobada por esses apontamentos,
ela ríspida prepotente,
de quem aglutina dissabores
e ressonâncias rubras de desespero.
Ingratidão [?]
Não...
É apenas a discordância e a assimetria
dos gemidos e dos gostos [amargos].
Desapontava-se ao olhar seus dedos mutilados.
Ficaram-se os anéis

E os grrrrr[ritos]

(Ilustração : Maul)

Sunday, December 04, 2005

À minha querida Mamãe,

Dia 12 de abril...A princípio um dia como outro qualquer, se não fossem os fatos que tornam todos os dias únicos e especiais, para cada um...
Hoje acordei mal, incomodada, mas contraditoriamente em paz. Isso deve ser sintoma do amor que sinto, que sempre senti. Essa calma, essa serenidade...Então, hoje cedi lugar para o silêncio. Tentei lembrar da tua voz chamando o meu nome. Às vezes enfurecida com meus atos impensados, às vezes com muito carinho, e muitas outras vezes com o tom imperativo exigindo respeito e obediência...Como era gostoso ouvir o meu nome pronunciado pela tua boca!
E redundante seria eu repetir que sinto a tua falta.
Sinto a tua falta, mas também te sinto junto a mim. Um paradoxo: A ausência que mostra a presença! Assim tem sido. As lágrimas são inevitáveis pelos meus olhos quando me lembro do teu abraço acolhedor, do teu toque sublime. As lágrimas, as mesmas que herdei da tua fácil e bela comoção diante do belo ou do triste.
Não me envergonho delas. São sinceras; limpas; são lágrimas minhas. São elas que agora adornam o meu rosto de insegurança! São elas que expressam o medo que tenho das respostas do amanhã. São elas as sinceras e limpas, as lágrimas minhas! Tenho medo, mãe, tenho medo de me tornar fraca como tu nunca foste! Tenho medo de desistir como tu nunca desistirias! Navegar é impreciso, eu diria. Mas é preciso navegar, tu dirias.
Hoje fazem exatamente 52 anos que você, essa pessoa tão maravilhosa veio ao mundo! E também essa semana está fazendo 4 anos que não a vejo, que não a posso tocá-la, nem sentir aquele perfume materno e acolhedor...
A imensa vontade que tenho de abraçar, de sentir aquele toque de mãe e deitar no seu colo pra ganhar aquele cafuné que me remetia há tempos bem antigos em que o meu coraçãozinho pulsava junto com o seu, num corpo só...
Sim, morro de saudades de ti...A imensidão dessa saudade é tão infinita quanto o amor que sinto como sua filha.
Morro de saudades daquele pudim de claras, da abobrinha com ovo que só você conseguia fazer com tamanho amor. Daquela sopa quente num dia frio de inverno me esperando à meia noite depois de um dia duro de trabalho e estudo. Das vigílias que fazia ao meu lado quando eu adoecia. Morro de saudades de alguém me chamando a atenção por algo que teimosamente insisto em errar, e que é preciso apenas aquele puxão de orelha que só uma mãe sabe dar. Talvez por isso tenho cometido tantos erros ultimamente, talvez na esperança de ter novamente alguém me “enchendo o saco”, como uma mãe faz...Morro de saudade daquelas noites e madrugadas sem dormir que passávamos trabalhando ou até mesmo conversando sobre tudo e sobre nada. Morro de saudades das histórias bizarras da família e da sua infância; das lições de moral que me dava; ou das coisas que humildemente você me questionava, por ter tido uma educação escolar modesta e limitada. Morro de saudades do exemplo da mulher forte, batalhadora e incansável. Da mãe coragem, da mãe perseverança, da mãezona. E por fim, morro de saudade de uma mãe exemplo pra eu me apoiar, e não errar na minha condição de mãe.
Quantas coisas ainda tenho para compartilhar, quantas perguntas a te fazer, quantas experiências a ser trocada, quantos aprendizados, quantas trocas de afeto e amor, quantos abraços ainda quero te dar...
Hoje, mesmo longe de você aprendi mais uma coisa. Aprendi que não são aos olhos da mãe que os filhos serão eternamente crianças...Nós, filhos é que precisamos eternamente do carinho, amor e colo de mãe.

Nota: Esse texto foi escrito e publicado no meu blog anterior em abril desse ano. Mas é o que constantemente sinto, independente de ser o dia do aniversário dessa mãe maravilhosa que eu tenho.

Friday, December 02, 2005

Do meu ex-álbum...


Queimo lâmpadas e desrealizo desejos...
Eu, GENIOSA. [E sem o meu véu]

Thursday, December 01, 2005

Histórias de Cronópios e Famas

Cortázar permitiria???
Pelo sim ou pelo não, aí está uma historinha gerada em brincadeiras por scraps, escritas pela Joy e por mim.
enJOY!


Joy Joy: O cronópio pequenininho buscava o equivalente em inglês para a palavra "bambolê", mas, para q pudesse encontrar a palavra adequada, precisava o cronópio dar uma boa rebolada. Aqui se detinha o pequenino, pois necessitava de um bambolê para rebolar, e não sabia como pedi-lo ao dono do Wal-Mart. "

San: Então, o cronópio pequenininho se pôs a dançar pelas gôndolas do Wal Mart que tinha no pulmão da feira se San Telmo...Dançava o cronópio ao som de bolhas de sabão multicoloridamente instáveis, feitos com a pasta de dente bicolor encontrado na seção infantil...Assim as próprias bolhas o envolveu formando um bambolê com as cores do arco-íris...Hora um bambolê violeta, hora azul, hora cor-de-rosa, hora cor-de-cronópio gargalhante.Então, embriagado de tanta alegria pôs se a agitar as mãozinhas para cima irritando os famas e despertando as borboletas sobre os patins....

Joy Joy: René e eu não nos víamos há pelo menos seis anos, e nunca vou entender pq de repente ele ficou com tanta vontade de nos encontrar na autopista q devia percorrer em viagem para casa, no Gard. Poderíamos ter nos encontrado cem vezes em Paris, mas os cronópios são assim mesmo e de repente René ficou a fim de se meter em todos os parkings, um atrás do outro, até me encontrar..

San: René era atropelado todos os dias, um atrás do outro enquanto te esperava e vc não sabia...Mas, René achava que era cócegas e afagos e não um atropelamento...Os cronópios tem o poder de transmutar a dor em difusões caleidoscópicas...A frequência é ressentida e refeita no oco do asfalto... René morria de rir todos os dias nos parkings e se fosse à Paris, como um cronópio, ele se assassinaria afogado em seu lacrimário...

Tuesday, November 29, 2005

Ao meu amor, com amor

Amo-te tanto que até dói
Amo-te com todo meu coração,
Minha alma, minhas artérias
Meu rim e toda a minha palma-calma
que sempre se invade com o
mar da minha insanidade
Amo-te com minha fé
Com minhas mãos e pés
Esses que me faz seguir
e te acompanhar pelos fios
que vc insiste em trilhar
Amo-te com tudo que há em mim
E até com o que não há
Amo-te com meu Sol, e minha chuva
Com minha lua e todos os meus papéis.
Amo-te total e absolutamente
Com todos os seus adjetivos ímpares,
minhas reticências infinitas
e meus incontáveis pleonasmos
Amo-te cega e veneradamente
Com minhas pétalas e chamas
Meus orvalhos de voltas e revoltas
Amo-te como meu chão e como meu céu
Como meu Apolo que me [en]canta músicas
E poesias nos jardins do nosso amor-perfeito
Amo-te...

Friday, November 25, 2005

Casamento

Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.
Eu não.
A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.

(Adélia Prado)

Sunday, November 20, 2005

Mais inSANidades...

A vida sempre nos traz maravilhosas surpresas...

E uma delas foi a recente amizade que fiz, com uma pessoa que já me é muito querida e especial.
O meu outro pólo [ Pq a minha metade eu já encontrei "Shamanicamente"...Diria]

E além de termos muitos aspectos em comum, afinidades raramente sentidas as nossas fotos se completariam no avatar do Orkut...Ele do nariz pra cima e eu do nariz pra baixo...

"O quebra-cabeça da minha
escuridão despedaçada
E da sua luz desmontada

Os olhos que eu não saboreio
E a boca que você não enxerga.."

Sim, o Gilmour´"Wild Fire Horse" é assim...

E mais, olha só o maravilhoso blog dele...
Babei já inicialmete pelo nome do recinto e depois pelo Gilmour...Hehehe!

http://noitesinsanas.blogspot.com/

Grande poeta!

O canto dos cronópios

"Quando os cronópios cantam suas canções preferidas, ficam de tal maneira entusiasmados que frequentemente se deixam atropelar por camiões e ciclistas, caem da janela e perdem o que tinham nos bolsos e até a conta dos dias. Quando um cronópio canta, as esperanças e os famas acorrem a ouvi-lo embora não compreendam muito seu arrebatamento e em geral se mostrem um tanto escandalizados. No meio da roda o cronópio suspende seus bracinhos como se segurasse o sol, como se o céu fosse uma bandeja e o sol a cabeça do Batista, de forma que a canção do cronópio é Salomé nua dançando para os famas e as esperanças que ali estão boquiabertos e perguntando-se se o senhor padre, se as conveniências. Mas como no fundo São bons (os famas são bons e as esperanças bobas) acabam aplaudindo o cronópio, que se recupera sobressaltado, olha em redor e começa também a aplaudir, coitadinho. "

Julio Cortázar

Saturday, November 19, 2005

E assim
esperarei novamente
o inteiro despedaçar-se
no meu caminho
e no jardim oblíquo
remontaremos tangrans
e as flores do meu quintal

perdidas

Tuesday, November 15, 2005

Des-abores
Des-amores
Des-colores
Bem que minha mãe me falava...
Andar
Des-calça
Machuca o coração...

Friday, November 11, 2005

Da sua ausência

Querido,
Hoje coloquei o lençol no varal...O nosso lençol azul-violeta [descobri outra cor que dá a mesma sensação do rosa]...
Parei diante dele e comecei a escrever nossos versos de amor tantas vezes sussurradas sobre ele, a poesia dos nossos gestos, dos desejos e anseios que infinitas vezes nos queimaram ali mesmo...Cifrei cada nota das melodias que já nos embalaram...Desenhei cada curva dos nossos corpos amarrados entre nós mesmos, e pintei o ângulo mais belo do seu olhar...Gravei alguns flashes do nosso amor materializado e infinitas vezes testemunhados por ele...Bordei nela as nossas risadas com os fios dos seus cabelos deixados por lá...E também, meu amor, costurei alguns retalhos dos nossos sonhos nunca planejados ainda, o nosso jardim florido, o rio que cortaria o nosso pomar e nossos lindos cãezinhos pastores...
E enquanto [re]vivo essa minha saudade de vc, fico sentada próximo ao nosso lençol esperando que ele me acaricie, ou que o vento se encarregue de dar a forma de cada traço talhado, ou que nos envolva novamente nas noites frias...Ou o que vier primeiro....

Tuesday, November 08, 2005

Divagações matinais

Hoje comprei pêssegos e um vaso de violetas rosas na feira aqui da vila...
E entre uma mordida e outra do meu pastel senti o calor do vento...Não, não do pastel...Mas era um calor igualmente intrigante...E durante a minha caminhada na feira, reparei que é uma sensação boa estar no meio de algo que após algumas horas não estará mais lá, mas que daqui a sete dias voltará lá de novo...A mesma banca de pastel, a mesma senhora que embala as flores, o mesmo garoto que dispõe as frutas no tabuleiro pra depois indispor de lá...
Inconstâncias constantes da vida??? As feiras livres são livres mesmo???

Sunday, November 06, 2005

Das esperas # 2

Mais uma vez dobro minhas pálpebras
e verto meu sorriso em lágrimas
porque do resto eu já sei...
Não te aguardo e nem te guardo mais
Muito menos quero saber onde anda o amor
Sim, aquele que me transbordava em graças...
Considerações consigo desconsideradas
Há um calo no meu silêncio
Interrogo minhas ácidas palavras inexistentes
Nas suas verbalizações e repetitivas desculpas
Os seus eternos blá blá blás
Nos teus gestos e nas tuas atitudes
que dissimulam as minhas angústias
Concluo:
Eu sou a melodia triste e solitária dos sábados chuvosos
Eu, inSANa
Inconstante
Multipolar
Adjacente e
Minguante.

Das esperas # 1

Um vento que beija a mão
A violeta que perfuma o ego
pinta e borra nublando a alma
Nada vai mudar...
Os sapatos continuam no mesmo lugar
Silêncio dos passos únicos
Incertezas dos gestos
Eternos indos e vindos

Saturday, November 05, 2005

Lembra, lembra, lembra, lembra???

...Eu lembro meu bem,
mas o que adianta
se seu amor te esqueceu?

Wednesday, November 02, 2005

Finados é pra quem morreu ou pra quem vive?

Hoje acordei com a ligação da minha avó cobrando a minha visita ao túmulo da família. Maneira horrível de ser acordada. Ainda mais uma pessoa agnóstica como eu...Pior de tudo, acabei de receber outra ligação dela confirmando se fui visitar minha tia, meu irmão e meu avô..."Claro que fui!" - Tive que mentir.
É estranho como somos condicionados desde pequenos a acreditar em coisas que nunca questionamos. Somos levados a aceitar que Deus existe e que os nossos familiares, depois de mortos estão nos protegendo, estejam onde estiverem. Porque enquanto vivos, por mais ruim que aquele seu primo canalha seja, quando morrer ele vai pro céu e vira o Santo imaculado da família. E todo dia de finados somos obrigados a hipocritamente lembrar apenas das boas ações do falecido. É proibido falar mal de quem já morreu.
Muitas pessoas devem me achar insensível, como muitos da minha família. Já tive que ouvir em resposta à um comentário : "É porque não é sua mãe ou seu pai quem morreu." Pode até ser, mas duvido que depois de ter eles mortos vou estar mais próxima reverenciando-os em cemitérios ou em orações.
E como se mudasse muita coisa. De qualquer modo eles estão longe de mim, e não posso abraçá-los ao mesmo tempo não tenho nem como levar flores à eles também. Saudade a gente sente até de quem tá vivo.
O fato de eu não gostar de ir em cemitérios (pra esses fins) não significa que não tenho respeito aos que já foram. Muito pelo contrário, falta de respeito é te impor algo, ser condicionado à determinada data fazer média em cemitério. Sem direito a questionamento algum.
Ou para os que acreditam em vida pós morte. Imaginem uma passagem bem a la Penadinho. Dia de Finados, aquela movimentação toda no cemitério, vendedores de flores, velas. A comitiva de outras cidades, a barulheira, as fofocas das tias carolas bem em cima do túmulo, a sujeira, o fedor de incenso e velas...Isso também seria um desrespeito à algumas almas que querem mais é descansar em paz...
Já passei por diversas religiões. Já frequentei centros espíritas, igrejas católicas, templos budistas, já fui adepta do "materialismo saudável" do Johrei...E hoje, eu não acredito em vida depois da morte. Não acredito em muitas passagens da Bíblia. Não acredito em hospitais de almas, espíritos, reencarnações, e afins. Pra mim isso é apenas uma maneira para anemizar a dor da perda de alguém querido, pra ser mais fácil aceitarmos a morte.
Assim como questiono muito sobre Deus. Como já dizia Nietzche, Deus é invenção do homem.
E antes de alguém vir atacar, o fato de crer ou não em Deus , não significa que vamos ter más condutas ou que somos ruins. Pelo contrário, conheço muitos ateus e agnósticos com corações nobres demais, assim como conheço cristãos e crentes que não valem um pedido que fazem nas suas orações (Até pq a maioria das orações são pedidos descarados de algo : proteção, saúde, bem material, felicidade, ou mesmo agradecimento por algo conquistado pra continuarem recebendo a graça posteriormente). Já vi até gente mudar de religião porque "Santo Fulano" não lhe concedeu um pedido.
Adoro cemitérios sim, mas pra lazer...Pra construir histórias de pessoas que já morreram e nunca vi na minha vida...Pra ver a beleza das artes que existem em muitos cemitérios da cidade, pra estudar a história da comunidade. Mas não pra me enganar e sentir me mais próxima de quem já sinto através de doces lembranças, sem precisar ir onde foram enterrados os restos mortais da pessoa.
Se for assim, como a maioria acredita, quando morrer quero que me enterrem no México e me levem todo ano uma garrafa de tequila ao som de Woman from Tokyo e The Number of the Beast...Como reza a tradição lá...Muita festa e bebedeira no dia de finados...Mas sem velas e incensos, por favor.

Tuesday, November 01, 2005

Pronuncias Prenunciadas

Sabe por que nunca havia postado meus poemas escritos antes?
Depois que releio fico com a sensação óbvia do ridículo...
Como um amor que se foi para sempre...

Vou tentar me controlar e dar férias aos meus poemas.
Pelo que vejo até os frequentadores desse blog se cansaram...

Desanestesias do segundo ato

Congruente e amargo
Um ciclo fechado
Uma ode, um nada
em preto e branco
um tango, um bolero
num filme antigo
que ninguém mais vê...

[Mas se ninguém vê...Por que ainda dói muito???]

Se você fosse uma flor...

...
Seria como a pedra,
que segura a correnteza
Como uma nuvem branca
em céu nublado de inverno
A pálpebra num
não piscar de olhos
A estrela invertida
Nos escombros do sol
E eu seria uma borboleta
Que bem-te-vejo
como uma flor Ciclame
Caio Fernando Abreu sempre me devolve o meu lado poético...

Quem não conhece, deveria ler algo dele...

“ (...) No meio do rio, eu via a pedra. A única naquela extensão azul de água, o pico negro erguido em inesperada fragilidade na solidão. Eu não tinha instrumentos para caminhar até ela, a pedra, toma-la nos braços , por um instante debruçar minha ternura sobre seu isolamento num absurdo desejo de que em sua insensibilidade de coisa ela se fizesse sensível e , assim suavizada, contivesse o desespero amparando-se em mim. (...)"

“ Fragmento do “ Diálogo” - Inventário do Ir- remediável

Monday, October 31, 2005

Insônia

Entediada nesse ócio indócil
Enquanto Hades dorme,
a noite amanhece
e apaga as estrelas com seu olhar nublado
Desisto de ressuscitar da morte livros já lidos
perdidos, e esquecidos
Eu fixo os olhos e finjo
Mas a luz pontuda me incomoda
Nas pausas obtusas e agudas
Entre meus passos e antepassos, tropeço
Com o beijo do meu mundo
Desato seus olhos e te amanheço
Invento meus sonhos como quem faz canções
Então eu vivo...
E preparo os joelhos para uma queda
E os braços pra vestir as asas.
Não me interpretem mal ao lerem meus poemas....

"O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. "

( Fernando Pessoa )
Eu poderia continuar a traçar suas estrelas
E desenhar nossos afagos
E susurrar nossas alegres cores em tuas mãos
E esquecer o nanquim nas nuances
tantas vezes por nós ensaiadas
Mas agora, agora meu bem
Preciso apenas de um ponto de fuga
E recomeçar uma nova pintura
Quadro a quadro...
Das cores que não senti...

Eu sabia...
Não era amor...Era apenas impressão?

Sunday, October 30, 2005

Pequenos pecados
Pequenos fragmentos de ilusão
Grandes paixões
Alumbramento
Que bebo e...abSINTO

Saturday, October 29, 2005

Parafraseando um sonho

Dorme, dorme que amanhã não tem sol enorme [eu descobri que não posso pedir]
E vamos caminhar cada um de seu lado pelas alamedas do parque;
E rir do meu ridículo amor;
E ver as flores-de-maio que não florescem em quase novembro, nem em dezembro e nem em janeiro;
E tão lindas que elas são [mesmo que só nas minhas fantasias] que só de vê-las, eu ainda assim te amo mais...
ele sabe do meu alfabeto,
esse mesmo que não existe,
enquanto invento verbos e estados pra ser.
Eu curiosa enquanto convenciono :
. o amo.
LETARGIAS
Eu esqueci minha boca nas suas agressões
Nesses últimos dias não tenho mordido ninguém
Minha fundação é profunda e firme nas sensibilidades ressentidas
mas nem choro mais
Talvez por isso virei as costas quando me deparei comigo mesma
numa livraria, em frente ao café
Eu que aprendi a gostar de gloss vermelho
Não, não é escapismo
É o que usamos para realçar por onde entram e saem
as emoções, o calor da vida
Ou minhas amarguras
Essas aí
Adoço vozes
Eu azeda, ardendo em letargias
que remexo diariamente
entre pistas e manchas
estre repetições tolas de dentes dormentes
Enquanto enterro, persistentemente
meus mortos vivos
Não há outro jeito
O meu escárnio se revela sorrateiramente
Poeiras dos idos
Aprendi a gostar de gloss vermelho
E de mim

Fronteira

Ela amava o muro de concreto que existia dentro dele...
Ao contrário das outras, não queria derrubar o muro.
Não queria entrar à força.
Não queria invadir, saquear, usurpar.
Não trazia consigo cavalos, armas ou exércitos.
Queria apenas se recostar naquele muro frio e forte.
Amava o muro e a sensação de isolamento e proteção.
Só queria se sentar à fogueira e beber do vinho daqueles sorrisos...

Friday, October 28, 2005

Conselhos da Ratoeira

“Mantenha seus amigos perto de você, e seus inimigos mais perto ainda.”

Eu durmo comigo

Thursday, October 27, 2005

Alma tem CU???...Ou o CU que tem alma????

Os CUs do metrô são tão feios... É porque eles não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que eles não têm Deus no coração... Quem?... Os CUs do metrô... Tá louco?... Louco?... Pastrame tinha razão... Por quê? Os CUs do metrô são tão feios... É porque eles não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que eles não têm Deus no coração... Quem?... Os CUS do metrô... Tá louco?... Louco?... Pastrame tinha razão... Por quê?... OS CUs do metrô são tão feios... É porque eles não têm Deus no coração... Hã?... O quê?... O que disse?... Que eles não têm Deus no coração... Quem?... Os CUs do metrô... Tá louco?... Louco?... Pastrame tinha razão... Por quê?

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Isso foi uma homenagem à um amigo C*zão que tenho, onde a alma sebosa dele só busca desvendar os grandes segredos do "chakra" traseiro do corpo humano.
Quem quiser se deliciar mais à respeito é só clicar no link do Flavio ao lado e descobrir qual o real sentido do seu C*...

Wednesday, October 26, 2005

(via oral)
Paroxetina
Sertralina
Fluoxetina
Carbamazepina
Alprazolam
Clonazepam
Bromazepam
loratadina
Ranitidina
Amoxicilina
Nicotina
...

(Foto de Marcia Bellotti) ... http://marciabellotti.multiply.com/

Sunday, October 23, 2005

Desnuda tu Alma y tu Cuerpo...


Para pensar que sou cego
Surdo
Mudo
Para fazer sentir
tocar
acariciar
Para que possa jogar
possuir
brincar
Para que consiga fugir
correr
voltar
Para que tenha que chorar
amar
E VIVER

Papagaio Real

Pra quem tem criança e pra quem é fã de "Hoje é dia de Maria".

O Papagaio Real é a história de uma menina que se apaixona por um papagaio que no decorrer da história se transforma em um príncipe encantado.
Inspirada em três contos “O Papagaio Real” de Câmara Cascudo,“O Papagaio do Limo Verde” de Silvio Romero e “Um-olho, Dois-olhos, Três-olhos” dos Irmãos Grimm.

O grupo "As Meninas do Conto" encenam a história com qualidade semelhante ao do grupo XPTO (Na minha opinião, a melhor companhia que vi até hoje, na arte de fazer teatros infantis).
Para essa peça foi utilizada a técnica da Máscara Neutra e a Comédia Dell’Arte, criando seres absolutamente inusitados para explorar o universo misterioso que permeia a história.
Sem contar na música ao vivo com instrumentos rústicos e a interação com a platéia...
A minha Natynha delirou quando foi chamada de Borboleta por Dois Olhos (A personagem que se apaixona pelo papagaio).

Pra quem estiver interessado, a peça está em cartaz no Teatro Alfa até o dia 06/11

Thursday, October 20, 2005

By Valtinho

"No meu pomar tem muitas flores...
flores de laranja, de maçã e de ameixa..
soh me falta uma flor...
a flor que é esta Gueixa!"
(Valter, o maníaco de japas)

Escrito especialmente para mim pelo meu querido "prirmão" escolhido Valtinho que tanto adoro!
(Segundo ele, vai saber pra quantas outras japas mais ele cantou esses versos à la "Castro AL(ar)VES de Azevedo"

Beijão na ponta do seu nariz e um aperto nas bochechas, Primo Querido!

Apossando coisas alheias...

Esse Bukowski foi gentilmente cedido-apossado do blog do Cristian
http://cristianbonatto.blogspot.com

"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece. Mesmo assim o amor é só resultado de um encontro casual. A maioria das pessoas explora isso demais. Nessa base, uma boa foda não é de se desprezar inteiramente." (Charles Bukowski)

Dispensa comentários um "filósofo" tão lúcido e realista como ele...

Um beijo especial ao caridoso Cristian

Tuesday, October 18, 2005

Ainda sobre o Referendo...

Um link interessante...

http://www.midiasemmascara.org

Como meu texto ficou com muita cara de marxista-estudante-de-história...

Chega!
E não falo mais disso...





Perguntaram a minha opinião sobre o Referendo...
Na verdade eu nem queria comentar muito a respeito de um tema tão batido e maçante como tem sido esse assunto ultimamente...Mas, eu como uma cidadã que vive num país governado por uma democracia, e num país tão irônicamente democrático onde as pessoas são obrigadas a votar, tenho que ter a minha opinião formada antes de ir digitar o número 1 ou 2.
Tanto se fala, tanto se especula e no final todos sabemos no que vai dar esse Referendo...
Talvez os mais radicais tenham razão. Talvez...Sim, talvez os resultados já estejam manipulados...Quem sabe?
Então tanto faz você ir lá e digitar o 1 ou o 2. Eles já até armaram uma estratégia de marketing a fim de confundirem os menos letrados e os mais distraídos dos eleitores ao formular uma questão tão mal feita.
Tudo leva a crer que por trás disso há um enorme interesse dos EUA e das Organizações Globo para desarmar a população, confirmando a própria história do nascimento da Rede Globo e esquecendo que os Ditadores mais sanguinários antes de darem o golpe desarmaram seu povo, como fez Fidel, Mussolini, Hitler, Mao Tsé Tung...Ora, a Rede Globo não construiu seu império às sombras da Ditadura?
Agora soma-se a isso o fato da mídia (principalmente as ligadas ao Padrão Globo de Qualidade, a grande manipuladora de opiniões nacional) sequer ter mencionado sobre a base militar americana montada em julho desse ano no Paraguai. Daí vem a pergunta: E o Quico?
O Brasil está em cima do Aquífero Guarani (o maior do mundo), junto com o Paraguai, Argentina e Uruguai. Possui a quinta maior reserva de urânio do mundo e a Amazônia está na mira dos americanos há muito tempo. Por muito menos invadiram o Iraque, passando por cima da oposição da França, da Alemanha e da Rússia. A oposição desses países europeus se deve certamente ao fato de que já notaram que a máfia maçônica e de ultra direita instalada no Governo americano, já está colocando em prática seus planos de dominação elaborados desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Isso sem contar que o maior fornecedor de armas de fogo tipo revolver nos EUA é a brasileira TAURUS. A mesma que junto com a CBC ( Cia. Brasileira de Cartuchos) financiam campanhas milionárias políticas no Brasil, inclusive a do nosso atual presidente. Ocorre que as indústrias americanas não conseguem competir com o preço acessível da Taurus, e uma vez desarmando os brasileiros a empresa se enfraquece e acabaria nas mãos dos americanos que sonham com a exclusividade na indústria bélica (Quem assistiu Fahrenhait 9/11 e Tiros em Columbine, do Michael Moore sabe do que falo).
Vendo por esse ângulo eu defendo o controle da posse e a restrição do porte de armas. Proibição nunca. Seria o meu direito de escolha. E quando escolho ter uma arma, tenho o DEVER de estar apto a possuí-la. Isto o estatudo já determina.
A idéia de que o desarmamento serve para diminuir a violência é hipócrita e demagoga. Não irá diminuir a violência de maneira nenhuma desarmando apenas uma parcela da população. Porque sabemos que os bandidos continuarão armados, isso sem contar no tráfico de armas que será fortemente estimulado. Querem fazer um desarmamento dando bons motivos? Primeiro invistam na segurança pública, para que o próprio cidadão dê-se de conta que não precisará de uma arma. Aí ele nem comprará. Mas vir com essa conversa de que irá diminuir a violência, é muita demagogia. Sabemos que os bandidos também não andam por aí só com simples armas, eles estão munidos de granadas, Uzis, AR-15, Ak-47, 9mm, enfim coisas que uma pessoa normal não conseguiria comprar em lojas legalmente.
Na verdade eu defendo também uma outra idéia, voltando à uma questão maior e mostrando o meu lado ultrasecreto e "Macchiavéllico" por aqui agora...
Sou totalmente a favor da construção de uma Bomba Atômica no Brasil para efeitos defensivos e imposição de respeito frente a outros países que deitam e rolam sobre o nosso país!
É só ver como o G8 passou a respeitar e dialogar com países como Paquistão, India e até com a Coreia do Norte...

Dolls 2

Postar um mesmo texto ruim duas vezes é o mesmo que assitir duas vezes um filme não muito bom...

Não sei porquê, mas estou odiando esse meu texto sobre Dolls...
Só o deixo aí porque o Rafael disse que ia linkar ele em algum lugar...Senão já teria ido pro espaço...

Ainda bem que o filme não é assim...Assisti três vezes e ele continua lindoooo aos meus olhos!!!!

Monday, October 17, 2005

Dolls

Atendendo ao pedido de um de dois dos leitores desse blog, vou "repostar" o meu texto sobre o filme do Kitano.

Dolls é um dos raríssimos filmes em que encontrei tanta perfeição...Um filme de pura arte, com uma sincronia perfeita entre as emoções, as metáforas e a abstração dos sentimentos humanos.
Isso sem dizer na fotografia desse belíssimo filme. As paisagens, o figurino (Yamamoto), o jogo das cores, a simbologia das estações do ano (como todo relacionamento que se preze ele começa às mil maravilhas muito bem simbolizado com a primavera, e só vai terminar no triste frio do inverno).
Através de três histórias diferentes, mas todas interligadas, Kitano faz uma parábola perfeita com o Bunraku (teatro de bonecos japoneses). No começo, há uma apresentação da peça "O Mensageiro do Inferno", do consagrado autor do gênero Monzaemon Chikamatsu, sobre amantes mal fadados. Os fantoches de madeira são sucedidos em determinado momento por um casal conhecido conhecido como "os mendigos amarrados".
Kitano escreve o roteiro baseado na lenda da alma gêmea. Dizem que cada pessoa tem uma corda que a amarra em outra pessoa. Essas cordas acabam se entrelaçando com outras cordas no decorrer do tempo e do Universo, dificultando o encontro com a nossa verdadeira metade.
E já que o filme fala em amor, nada melhor que relacioná-lo com frases do saudoso poeta lusitano Camões, que tenta tão perfeitamente descrever esse sentimento...

1. " ...É um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade..."

A primeira história fala de uma mulher trocada pelo noivo por um casamento financeiramente compensador. Ela tenta o suicídio e acaba perdendo a razão, para desespero do ex, que ao saber da notícia resolve manter a honra para amapará-la largando tudo. Juntos eles perdem totalmente a noção de si mesmos e passam a viver amarrados por um cordão vermelho. eles vagam pelas ruas, parques e campos numa viagem que abrange as quatro estações do ano.

2. "...É servir a quem vence o vencedor

É ter com quem nos mata, lealdade..."

A segunda história, é de um líder da yakusa que ao final da vida resolve reviver um amor que teve na juventude. Antes de entrar para a máfia, ele deixa uma namorada que mesmo assim, promete esperá-lo todos os sábados numa praça para almoçarem juntos. Para espanto dele, encontra-a no lugar referido esperando-o e cumprindo sua promessa com tamanha lealdade e obstinação mais de trinta anos depois.

3."...Amor é fogo que arde sem se ver


É ferida que dói e não se sente..."

A terceira história é de uma popstar que no auge da sua carreira sofre um acidente e vai se isolar do mundo por não aguentar ser vista com o rosto desfigurado. Mas ela permite que aenas um fã que num momento Edipiano de desespero, se auto flagela acabando por se tornar cego.

Dolls..

"...É um querer mais que bem querer

É um andar solitário entre a gente..."

Kitano fala do amor...Mas não é sobre o amor perfeito, com final feliz...É sobre o amor absoluto, mas que destrói. Sobre o amor exagerado, o amor único, singular, o amor trágico, o amor que só doa e nada pede em troca.

"Amar é nunca ter que pedir perdão". Essa frase de Love Story, se palica perfeitamente aqui também.

O amor muitas vezes não pode ser reconstituído. Se realmente amamos não daremos motivos de desapontamentos, de magoar o ser amado. Quando amamos, cuidamos.

Dolls, retrata perfeitamente as consequencias do "voltar atrás" para corrigir algo que nunca mais será o mesmo.

O filme nos diz que amor mal conduzido, se refeito só destrói.

Nos faz refletir sobre o amor avassalador e escolhas egoístas, sobre a devoção, o sacrifício e o amor como atos extremistas, insensatos e irracionais.

Cheiro de pólvora no ar...
Tudo indica que a turma da bala vai ganhar no referendo. Culpa da propaganda muito mal feita do "Sim". E da proganda do "Não", que confunde muito bem.

O lado bom....???
[Se é que isso é bom]
É que no final nada se muda nesse país...

Sunday, October 16, 2005

Eros


Acabei de assistir o tão esperado filme que reúne os três grandes diretores do cinema mundial e ainda estou anestesiada pela sensação que cada história nos deixa. Percorri todo o caminho de volta para casa pensando, refletindo e revivendo cada sensação que tive durante a exibição. Perdi a fome, perdi a vontade de parar na saudosa livraria do Espaço Unibanco, perdi a vontade de satisfazer meus prazeres, perdi os sentidos... Será esse o segredo que as curta-metragens nos deixa? Aquele gostinho de quero mais, ou que tudo o que é muito bom dura pouco?...
Se bem que qualquer outro longa desses diretores que assiti também me deixava essa mesma sensação de sem ter o que fazer, pensar, sentir... O segredo é a qualidade mesmo, a maneira como são conduzidos cada enredo. Não é à toa que eles são mestres no que fazem.

Bem, para quem não sabe, Eros é um filme que reúne em forma de contos 3 histórias. A primeira, Il filo pericoloso delle cose (O perigoso encadeamento das coisas) é dirigida por ninguém menos que Michelangelo Antonioni. A segunda, Equilibrium, por Steven Soderbergh. E a terceira, The hand por Wong Kar-wai.
A proposta do filme, como percebe-se pelo título é tratar Continetalmente o erotismo e o amor.

E pra piorar meu espírito cafona à la bolero de um domingo solitário à meia noite, estou digitando essas palavras ao som de batidas de cama de casal vizinho e comendo uma esfirra de carne em formato de coração...Que se passava na cabeça do "Bib's funcionário" doido que inventou tal pieguice??? Isso ainda vai acabar me dando uma indigestão...

Saturday, October 15, 2005

Ok...
Querem saber quem foi Joubert???

Joseph Joubert (1754-1824) foi um pensador/escritor que aos setenta anos nunca escreveu livro algum. Seus escritos sobreviveram graças ao amigo Chateubriand que após a sua morte reuniu suas anotações perdidas em caderninhos e publicou o famoso " Recueil des Pensées de M. Joubert".
É autor de grandes pensamento chavões mas de profunda sabedoria, e utilizados até hoje em mensagenzinhas toscas de pps, como por exemplo:

" Bondade é amar as pessoas mais do que elas merecem"

" Ensinar é aprender duas vezes"

E por aí vai...

Talvez seja dele o que vou começar a pôr em prática na minha vida...
Já que é tão difícil me fazer feliz...

"Antes de esperar que os outros mudem, mudarei eu."

É o sábio princípio contra o comodismo...

Wednesday, October 12, 2005

Me sinto como Joubert, o grande escritor sem livros...

Mas agora eu estou sem palavras...

Talvez porque a sensação de bem estar seja sintética e não essencialmente verdadeira...
A fluoxetina já penetrou no meu sangue e me faz rir de qualquer coisa...Mas são risadas vazias...Elas não têm a capacidade de atingir a alma...Tenho medo de perder o controle da situação e ficar exageradamente artificial...

Minhas mil lágrimas diárias, como um milagre desapareceram...Mas agora...Agora sinto falta das minhas milágrimas, ao menos elas eram verdadeiras...

E além de Joubert, me sinto uma Christiane F., drogada, prostituída...E largada por aí...Só falta eu começar a ouvir David Bowie, porque sair encontrando amigas mortas em banheiros já tem me acontecido...(simbolicamente falando)

Ahhh...Essa sensação terrível de nunca estar satisfeita...

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Credo...Esse blog mais parece um diário de uma louca psicótica...
Chega por enquanto...

Sunday, October 09, 2005

What I claim is to live to the full the contradiction of my time, which may well make sarcasm the condition of truth.

(Roland Barthes)

Friday, October 07, 2005

A luz calçou as botas e se foi...Mas ela me deixou um grito...
E é nesse eco que vou arrastar o dia de hj...

[Ainda bem que hj é sexta]
Ser a mulher mais feliz do mundo não me traria felicidade...

Wednesday, October 05, 2005

Post sobre......EU MESMA

NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADA
NADANADANADANADANADANADANADANADANDA

Como dizia um amigo...

ACORDA PRA VIDAAAAA, LIMONADAAAA!!!!!!

[E Papai Papudo também...]

Tuesday, October 04, 2005

Boring...

Meu inimigo é o mesmo de Baudelaire ........... O TÉDIO ...... ESSE MALDITO!!!!

?????

"Við Gauja gengum á Keili í gær í frábæru veðri.
Það tók lengstan tímann að labba yfir hraunið að fjallinu - eða um 50 mín.
Vorum hálftíma upp á toppinn - enda ekki í formi. Gleymdum því miður að taka með okkur göngustafina og það varð til þess að stundum fórum við 3 skref áfram og 2 aftur á bak þarna efst í skriðunum. Allan tímann sem við vorum þarna var herþyrla á sveimi við Höskuldarvelli og yfir fjallgarðinum.
Ýmist lentu þeir á völlunum eða sveimuðu yfir toppunum þarna, líklegast við Spákonuvatn eða Grænavatn. "

Entenderam?
Pois é...
É assim que eu me sinto...

Thursday, September 29, 2005

Que PORRA é essa???

Essa coisa maravilhosa aí é LAURI PORRA, o novo baixista do Stratovarius...
Mais um motivo pra me arrepender por não ter ido ver a Porra tocar!!!

Tuesday, September 27, 2005

Sunday, September 25, 2005

...

E é por isso que não acredito em livros de auto ajuda..Nem de selfs, nem de insights nem de cosmos, e muito menos de holismo...
Só ensinam a mentir...

...

Eu sempre me olho no espelho e minto pra mim mesma : "I'm fine..."

Wednesday, September 21, 2005

Já descobri por que as pessoas apaixonadas imploram pelo amor da pessoa amada.
Pra poder viver...

Só isso...
Tempo perdido
Amor contido
Sem sentido
Sem tido
Sem ido
Sem dó
Sem
Se
.

Tuesday, September 20, 2005

Minha Noite

"Minha noite é como um grande coração batendo. São três e meia da madrugada.
Minha noite é sem lua. Minha noite tem olhos grandes que olham fixamente uma luz cinzenta filtrar-se pelas janelas. Minha noite chora e o travesseiro fica úmido e frio.
Minha noite é longa, muito longa, e parece estender-se a um fim incerto. Minha noite me precipita na ausência sua. Eu procuro, procuro seu corpo a meu lado, sua respiração, seu cheiro. Minha noite me responde: VAZIO.
Minha noite me dá frio e solidão. Procuro um ponto de contato: a sua pele. Onde você está? (...)
Não é possível que você não esteja aqui.
Minha cabeça vaga errante, meus pensamentos vão, vêm e se esfacelam, meu corpo não pode compreender. Meu corpo quer você. Meu corpo quer esquecer-se por um momento no seu calor, meu corpo pede algumas horas de serenidade. Minha noite é um coração de estopa. Minha noite sabe que eu gostaria de olhar você, acompanhar com as minhas mãos cada curva do seu corpo, reconhecer seu rosto e acariciá-lo. Minha noite me sufoca com a falta de você. Minha noite palpita de amor, amor que eu tento represar mas que palpita na penumbra, em cada fibra minha. Minha noite quer chamar você, mas não tem voz. (...) São quatro e meia de madrugada. Minha noite me esgota. Ela sabe muito bem que você me faz falta e toda a escuridão não basta para esconder essa evidência. Essa evidência brilha como uma lâmina no escuro. Minha noite quer ter asas para voar até onde você está, envolvê-lo no seu sono e trazê-lo até onde estou. Minha noite não traz conselhos. Minha noite pensa em você, sonha acordada. Minha noite se entristece e se desencaminha. Minha noite acentua a minha solidão, todas as minhas solidões. O silêncio ouve apenas minhas vozes interiores.
Minha noite é longa, muito longa. Minha noite teme que o dia nunca mais apareça, porém ao mesmo tempo minha noite teme o seu aparecimento, porque o dia é um fio artificial em que cada hora conta em dobro e, sem você, já não é vivida de verdade. Minha noite pergunta a si mesma se meu dia não se parece com a minha noite. Isso explica à minha noite por que razão eu também tenho medo do dia. Minha noite tem vontade de me vestir e me jogar pra fora, para ir procurar o meu homem. Minha noite o espera. Meu corpo o espera. Minha noite quer que você repouse no meu ombro e que eu repouse no seu. Minha noite quer ser voyeur do seu gozo e do meu, ver você e me ver estremecer de prazer. Minha noite quer ver nossos olhares e ter nossos olhares cheios de desejo. Minha noite é longa, muito longa. Perde a cabeça, mas não pode afastar de mim a sua imagem, não pode fazer desaparecer o meu desejo. Ela morre por saber que você não está aqui, e me mata. Minha noite o procura sem cessar. Meu corpo não consegue conceber que algumas ruas ou uma geografia qualquer nos separem. Meu corpo enlouquece de dor por não poder reconhecer no meio da minha noite a sua silhueta ou a sua sombra. Meu corpo gostaria em plena noite de dormir e, nessas trevas, ser despertado com os seus beijos. Minha noite não conhece hoje sonho mais belo e mais cruel do que esse. Minha noite berra e rasga os seus véus, minha noite se choca contra o próprio silêncio, mas meu corpo continua impossível de ser encontrado. Você me faz tanta falta, tanta. E suas palavras. E sua cor.
Logo o dia vai raiar."

Carta de Frida Kahlo à Diego Rivera.
Cidade do México, 12 de setembro de 1939.

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Por que os amores normais, de pessoas normais são apenas normais? E os grandes amores mesmo, estes são os anormais...

É uma pena que grandes nomes femininos da história estejam ligadas à um homem, à um relacionamento amoroso...Foi assim com Frida Kahlo, Mary Welsh, Clotilde de Vaux, Camille Claudel, Marquesa de Santos, Iara Iavelberg, Capitu...Não tem como pensar nelas sem ver Diego Rivera, Hemingway, Comte, Rodin, D. Pedro, Lamarca, Bentinho...

E, pior...Muitas só foram ficar famosas mesmo depois de produções cinematográficas...

How do you feel???

Monday, September 19, 2005

...

O bem
que quero
não faço
O maul
que não
quero
este sim
eu faço
e quero
...

Sunday, September 18, 2005

Sweet Dreams...


Já que não gostaram do meu pobre pombo amoroso...
(In off : "Never More...")

"Sweet dreams are made of these
Who am I to disagree?
Travel the world and the seven seas
Everybody's looking for something
Some of them want to use you
Some of the them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused... "

Estranho?
Não acho...
Adoro Marylin Manson, a voz satânicamente sexy...Sobretudo nessa música...
Isso sem contar as semelhanças com...Ahhh...Deixa pra lá...

Eu e minhas fantasias grosseiramentes toscas...

Mas ainda quero ver a ferocidade de um homem ouvindo essa música maravilhosamente erótica (pelo menos pra mim).
Mais que "Glory Box" do Portshead, mais que "Still got the Blues" do Gary Moore, mais que "Edge oh the World" do Faith no More, mais que "Since I don't Have You" do Guns, mais que "You Can Leave Your Hat On" do Joe Cocker...Enfim, mais que qualquer uma música que teve a pretensão de ser apenas sedutora, se esquecendo da "maulícia"...

Usando e abusando...
Sendo usada e abusada...
Como a música sugere...
E com requintes de crueldade a la MM(cabeludo lindo tb) e do meu tão idolatrado Sade...

Afff...Que exagero...Já pensou os dois numa cama comigo...Isso sim é suicídio lento e doloroso...Isso teria mais cara de treinamento pra tortura do Oriente Médio do que clipe da Madonna...

Na verdade acho que sou mais louca pelo Geoffrey Rush interpretando o Marquês, do que o próprio velhinho testudo de peruca...Assim como Jack Sparrow, o pirata fedido, e com dentes cariados fica muuuito beijável com Johnny Depp...
Melhor parando por aqui, porque isso tá virando suruba já...E antes que isso tudo mude o rumo e vire um conto erótico com meus segredos mais sacanas expostos...

Mas é isso aí, essa música é fuckin tesão pra mim!

Agora pra quem não gostou do Pombo, nem do Trem da Alegria e nem de MM...Que vá fazer um Bundalelê por aí!

Saturday, September 17, 2005

Love will tear us apart

Pra sair da rotina, um pouco de Joy Division...
Chega de Metal melódico por hora...
E...Minha vida está prestes a virar 360º!
Cansei de falar sozinha, com surdos e mudos...

LOVE WILL TEAR US APART

When routine bites hard and ambitions are low
And resentment rides high but emotions won't grow
And we're changing our ways, taking different roads
Then love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again
Why is the bedroom so cold?
You've turned away on your sideIs my timing that flawed?
Our respect runs so dry
Yet there's still this appeal that we've kept through our lives
But love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart again
You cry out in your sleep, all my failings exposed
And there's tast in my mouth as desperation takes hold
Just that something so good just can't function no more
But love, love wil tear us apart again...

En égoutter par leurs mains...

...Meu tempo é curto
E sempre soube que vim pra cá apenas de passagem...

E, como diz a Joy...

Abracadabra
Puff
Eu sou feliz!

E seja feliz também!

Thursday, September 15, 2005

E quando você perde a identidade???

É simples...É só registrar queixa de extravio e solicitar a segunda via...
É o que mais tenho escutado esses dias...

Mas e quando se trata da outra identidade???
O que fazer quando perdemos nossas crenças, nossos ideais, nossos valores, nossos paradigmas???

Ando tão estranha, tão diferente...
As coisas que me faziam bem já não fazem mais...Já não é raro as vezes que sinto falta de mim mesma...
Ando diferente, minhas atitudes são diferentes, meus gostos, minhas vontades...
Estou em plena crise fenomenológica existencialista...

Por que gasto horas combinando sapatos, com roupas?
Por que me olho no espelho todas as manhãs?
Pra quê guardo meu dinheiro?
E pra quê eu gasto ele?
Pra quê trabalho tanto?
Pra quê leio livros?
Assisto TV?
Pra quê vou pra faculdade?
Faço trabalhos ridículos só pra ganhar notas
Ou um salário
Pra quê sorrio pra chefe burro?
Colega folgado?
Professor enrolador?

O conhecimento tem valor real?
Abstrato?
Significante?
Estático?
Estético?

As coisas que pussuo me possuem...
Quantos anos eu tenho?
Quantos pares de sapatos tem no meu armário?
Quantos vestidos?
Qual o ano do meu carro?
Meu perfume favorito?
Quantos cds eu tenho?

Eu escolho algo?

Não acredito em mais nada
Perdi a religião, a fé, a esperança até
Mas percebi a noção do real
Apenas percebi...

Inventaram a pílula da felicidade
A máquina de fazer sorrir
De lavar louça,
Roupa,
De fazer sexo
Mas e de amar?

Com quantos Prozacs consigo um sorriso na minha cara?
E no meu coração?
Que eu tenho na minha cabeça?
Só penso...
Somos sonhadores?
Psicóticos?
Fetichistas?
Consumidores?
Apaixonados?
Profetas?
Bastardos?
Desesperados?

No final nem o amor prevalece...

Qual o melhor remédio pra insônia?
E pro nada?
Onde está minha mente?
Isso realmente importa?

Do que eu gosto?
O que é importante?
Onde eu estava quando me casei?
E quando o casamento acabou?
Onde eu estava quando a minha filha cresceu?
Quando caiu seu primeiro dente?
Quem ensinou minha filha a amarrar o tênis?
A ler? Cantar? Dançar?
E chorar?
Onde eu estava esse tempo todo???

E...
Onde será que posso obter a segunda via da minha identidade?

ACCALMIE


Le vent
Debout
S'asseoit
Sur les tuiles du toit

(Jacques Prévert)

Monday, August 29, 2005