Friday, April 16, 2010

Sábado concreto

Ultimamente o meu saudosismo anda em alta.

Uma homenagem à pessoa que fez esse blog existir, e que foi a poesia da minha vida por muito tempo...

"Amor igual ao teu, eu nunca mais terei..."(Cidade Negra)

"Odeio. Teu amor descabido. Odeio teu
louvar por mim, tuas palavras exatas, teu
cheiro de flores que me afaga. Odeio teu olhar
confortante, teu sinismo gentil, que me ganhas,
teu pensar flutuante, me engessa, odeio teu
lirismo desrimado, que por tantas noites
me afoitou, me escurraçou de teu lado,
odeio teu tango preferido, impossível de
acompanhar, tuas metáforas ditas, mas odeio
mesmo aquelas não ditas, são piores,
incompreensíveis, e odeio mais ainda,
teu olhar de inconformada, perante meu
conformismo - não te entendo, você -
odeio também tuas virtudes, das mais saborosas
e prazeirosas, do teu companheirismo exagerado, do teu eterno
estar, ao meu lado, da sua incansável presença,
nas boas horas e ruins, também, odeio teu
vazio, que somente posso eu preencher, odeio sim,
teu desespero, me fere mais à mim, odeio
teus pecados, pois sou eu que levo a culpa no
inferno, odeio tua criatividade, essencial, odeio
sua grande capacidade em me aceitar, imperdoável,
dos meus erros mais crassos, nada te faz rejeitar,
odeio esse teus seios macios, nunca se rendem,
sempre estão à esperar-me, espaço, teu colo, morno, calmo,
odeio tua coragem, me desafiando, minha calma,
nervos, paciência, odeio tua voz mansa, de boa
classe e etiqueta, odeio tudo que não sou,
nunca fui, amo-te enfim, porque és assim,
tão igual a mim." (Maurício Fonseca)

"Amo. Com meu receio, com minha
ingratidão, com meu respeito por sua
inteligência, amo do jeito incerto, que
desagrada os leigos - lhe desagradou,
amo enfim, sua liberdade, que tu me
entregaste, amo em ti as sombras passadas,
amo teus passos sinceros, teu ir e vir,
amo te fazer sorrir, amo te fazer intensificar,
amo com meus botões, calculando números
infinitos, amo te fazer pensar, porque quando
pensas fica mais bela, sem batom ou nanquim,
amo te fazer recitar, poemas rimados em arritmias,
e deixar-te esperando dias, porque amo ver-te
ansiosa, sensual, voraz, faminta, desejosa,
e receber tudo intensamente numa noite só,
amo sair antes do galo cantar, pra ver-te dormindo
de camisola, entre lençois, amo saber que ao
bater a porta, tu vais acordar, e amo, deixar-te
com saudade, porque só assim na insegurança
nosso amor resplandecerá.
Amo enfim, tudo que odeias
porque do ódio sempre caberá
o amor." (Maurício Fonseca)

Tuesday, April 13, 2010

De um lindo muro de concreto isso se transformou em um muro de lamentações...

Alguém, me devolva a poesia, por favor!