Friday, September 22, 2006

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Agora que Plutão não é mais planeta, qual é a atividade dele?
E outra, as criancinhas do futuro, que não pegaram os tempo áureos do primeiro ex-planeta do nosso Sistema Solar, vão relacionar o nome do cachorro do Mickey* a o quê?

Crise de identidade universal.

Monday, September 11, 2006

Das insignificâncias

Iberê Camargo


Estou à ponto de sabotar a minha psiquiatra, a vontade de não sair de casa é tanta que continuo de pijama nessa linda tarde ensolarada. Estou quase dando meia volta no caminho e cá estou querendo descobrir a proeza que determinado amigo de pílulas tem feito para se livrar da santa fórmula da felicidade...
Quero descansar no longo e letárgico sono dos insetos e estou me preparando para mergulhar em Schopenhauer...Aliás...Viram o novo [nem tão novo assim mais] lançamento do mesmo autor de "Quando Nietzche chorou"??? Chorei novamente em saber que agora ele se aproveita "da cura do Schopenhauer"...A filosofia vai parar mais ainda nos divãs agora...Oh deuses!!! Onde a humanidade existencialista irá parar agora??? No mundo de Sofia????

Sunday, September 10, 2006

O menor jardim do mundo

Chiesa di Sant'Ursula , de Kandinski

Era uma vez o menor jardim do mundo. E, se era assim, não foi porque tinha encolhido, mas sim porque o mundo havia crescido demais, e o jardim com suas flores e a vida dentro dele foram se perdendo da vista dos homens, num cantinho cada vez menor de um mundo cada vez maior.
Bem no meio do jardim, sentado em uma minúscula semente, um vovô tatu-bolinha conta histórias aos seus pequenos netos tatuzinhos e para as meninas joaninhas, que com seus quase -vestidos de bolinhas deslizam pelas pétalas de margaridas. Pertinho dali, algumas borboletas amarelas prolongam o pouso para ouvir a história que até o inquieto grilo se acalmou para escutar.
Quando o tatu-bolinha terminou de contar a história que falava de um tempo futuro em que não haveria mais jardim algum, o velho barão, um besouro de nobre família disse com seu jeito rabugento e desanimado de sempre:
-É, senhor tatu, o seu conto me faz pensar: o mundo não tem jeito, não há mais o que ser feito.
-Pois eu digo que tem.
Assim disse sorrindo o tatu-bolinha, apontando na direção de um homem e uma menina que se aproximavam.
Depois de desviarem o seu caminho de uma trilha de formigas, avô e neta sentaram-se em um banco e ele começou a contar uma história. E, de dentro do jardim, todos aqueles olhinhos miúdos que não eram vistos, pararam para ouvir uma história que começava assim:
"Era uma vez o menor jardim do mundo..."
O tatu bolinha e o besouro olharam um para o outro e sorriram em silêncio.

Tuesday, September 05, 2006

René Magritte

Folheando meu blog vi que há um ano venho aqui desabafar esporadicamente nessas linhas...Ou abafar algo que surge nas minhas entranhas auricular vez ou outra, transformadas metafóricamente em versos despretensiosos.
Um ano de sentimentos densamente anotados nessas páginas. Doze meses de desassossegos...Doze meses de pura desanestesias.
Talvez seja como a pintura de René Magritte..."Isso não é um cachimbo", e nem eu sou um cachimbo também...Esse blog, essas palavras são representações pictóricas e assimiladas em palavras de mim mesma. Mas ainda acho que um cachimbo chora menos que eu...
Talvez Cronos teria alguma culpa por toda essa mudança em minha vida, é notório na humanidade culpar os deuses...Dizem que o tempo é o senhor das razões. Mas as minhas razões estão sempre sofrendo com a ausência dos senhores...
Por meses Tânatos e Hades jogaram xadrez comigo. Cheguei a ver a morte de perto e o inferno tal como ele é...Aliás, lugar que ainda me mandam vez em quando, mas como cliente vip do local graças à tantos inferninhos virtuais ou reais, sobrevivi.
O fato é que depois de um ano, talvez as minhas desanestesias causem efeito contrário. Não era o que estava prescrito na bula, mas em doses homeopáticas sinto uma melhora na minha alma.
Hum... Onde estaria o meu Enjambement, ele morreu???