Havia tanta bossa nos discos deles que em algumas noites não conseguiam escolher o que ouvir! Talvez Piazzola? Como na primeira noite em que ele estivera lá e revelara como seus tangos a faziam arrepiar! Arrepiar-se onde não devia! Uma música que faz amor bruto, visceral, indelicado, inesquecível mas repleto de harmonia. Ou um bolero? Que tanto dançaram em estados à flor da pele, entre as súplicas lacrimosas de besáme mucho e que embalaram as danças mais imorais já vividas na humanidade. Quem sabe aqueles solos quentes de Steve Vai, cheios de coreografias solenes e insinuantes que sugeriam o despertar de todos os desejos mais lascivos e obcenos? Ou então um pouco da destreza mágica e selvagem do dedilhar insano do flamenco de Paco? Aquela selvageria latejante e voraz que sempre cortava o silêncio de uma noite arrebatadora e calorosa. Música que vinha emaranhada com os sons mais profundos de si e que despertava-lhe os sons mais agudos e espasmos de louca...Havia muito o que viver, o que cantar, o que dançar...Havia muito ainda...
Então quando ele partiu, a música perdeu todo o sentido para ela.
Restou-lhe naquela época um silêncio tão ausente de sensações que nem mesmo a solidão doía.
Perdia então algumas noites tentando inutilmente escolher a música para o dia em que ele voltasse. E hoje aprendeu a viver o silêncio.
O amor não deixa sobreviventes.
Saturday, March 24, 2007
.das abcissas cordiais.
antigamente escrevia mais por viver menos realidades.
descobri que há uma linha tênue entre o mundo das palavras e o mundo dos olhos cintilantes...
por isso optei pelo modo de vida umbigocentrista e anti-cortês.
descobri que há uma linha tênue entre o mundo das palavras e o mundo dos olhos cintilantes...
por isso optei pelo modo de vida umbigocentrista e anti-cortês.
Wednesday, February 14, 2007
Amizade...
O amor da amizade é um amor diferente:
é um amor renal.
Amigos não compartilham o coração
igual aos que se entregam à uma paixão.
Não...
Ninguém deveria morrer de amor,
dessa dor que aperta o peito
de um coração partido
e nunca devolvido.
Não, não presta emprestar,
ou dar
seu coração
ao seu "amor", e muito menos à um amigo.
Então...
Veja pois que rim nós temos dois!
Se doarmos um, ninguém morre,
nem doador
nem o socorrido,
numa prova de um amor compatível.
Pois só se doa o coração,
ora bolas,
quem já tiver morrido.
Embora sua função nem se iguale
ao de nosso órgão cardíaco,
o rim elimina tudo aquilo que é encardido,
até mesmo as bebedeiras
que o fígado,(coitado)
teve de dar contapor algum amor perdido.
E a dor renal não tem comparação...
e se esquece facilmenteo que dói no coração,
se uma pedra a gente parir.
E dói...
muito mais,
"muito mais",
que deixar um amor partir.
Escrito por Marcio Augusto, 10/02/07.
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=87940&tid=2464615084584854399&na=4&nst=466&nid=87940-2464615084584854399-2515075298135892863
é um amor renal.
Amigos não compartilham o coração
igual aos que se entregam à uma paixão.
Não...
Ninguém deveria morrer de amor,
dessa dor que aperta o peito
de um coração partido
e nunca devolvido.
Não, não presta emprestar,
ou dar
seu coração
ao seu "amor", e muito menos à um amigo.
Então...
Veja pois que rim nós temos dois!
Se doarmos um, ninguém morre,
nem doador
nem o socorrido,
numa prova de um amor compatível.
Pois só se doa o coração,
ora bolas,
quem já tiver morrido.
Embora sua função nem se iguale
ao de nosso órgão cardíaco,
o rim elimina tudo aquilo que é encardido,
até mesmo as bebedeiras
que o fígado,(coitado)
teve de dar contapor algum amor perdido.
E a dor renal não tem comparação...
e se esquece facilmenteo que dói no coração,
se uma pedra a gente parir.
E dói...
muito mais,
"muito mais",
que deixar um amor partir.
Escrito por Marcio Augusto, 10/02/07.
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=87940&tid=2464615084584854399&na=4&nst=466&nid=87940-2464615084584854399-2515075298135892863
Wednesday, December 06, 2006
Rascunhos
"Olhe profundamente para dentro da vida e encontrará sempre o desespero"
Friedrich Nietzsche
...Aquilo era um vaso. Que caiu e se despedaçou no chão.
No ar um som sugestivo de vento. Há quem procure por pessoas descuidadas ou que não respeitaram a santidade dos vasos amorosos. Há quem pense em supercolas e delicadezas para reconstruir com os mesmos moldes o vaso quebrado. Mas ele já está despedaçado.
Há alguns anos eu pensaria do que serviria um vaso se não há flor que lhe dê razão, se é só um vaso a mercê da solidão?
Agora penso que flores não precisam de vasos. Estão elas todas a mercê do tempo. E todos estes vasos partidos formarão um mosaico do que fomos, do que somos e do que poderíamos ter sido e do qual o coração é apenas um caco.
Wednesday, July 05, 2006
Rascunhos
Meus olhos estão salinos e saudosos. Nosso itinerário está sendo desfeito enquanto chegamos. Não tenho coragem de virar meu rosto para encontrar o seu. Sinto sua falta na periferia dos meus olhos enquanto observo a cidade através da janela. Mas, meu amor, eu fingia muito bem estar prestando atenção nas ruas quando suas ruas eram o que me guiava. A minha respiração lenta não chamou sua atenção.
Tuesday, May 16, 2006
Tuesday, May 02, 2006
Wednesday, March 22, 2006
Tuesday, March 14, 2006
| Em algum lugar de nós ficou escrito o poema nascido da intensidade da procura projetada no espaço na busca do infinito na melodia em acordes de desejo e nas asas de poesia algum lugar existe onde continuam ressonando os ritmos do coração da pele do rim Ouça, escute Sempre se recria a ternura deitada de sonhos onde um dia nos refazemos e falar desse lugar é tocar o múltiplo singular e é chegar o mais perto daquilo que vem com a saudade |
Gira-Som
| Eu tenho um girassol que é mais amarelo de todos. presente de um indivíduo que tem uma vértebra a mais e que me ensina todas as segundas a dança dos homens. só que deu no girassol de se parecer com a dona e ele brigou com o sol Gritou Murchou -Existe arrependimento pra girassol??? |
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