Thursday, September 24, 2009

A era das ignorâncias

Estar confinada no litoral estudando sobre o Positivismo me fez analisar o quanto a humanidade caminha ao progresso, mas de maneira retrógrada, para desespero de Auguste Comte e toda a entidade progressista.
O assombroso é deparar com um mundo, que diante de ferramentas que sinalizariam o progresso humano, como a internet e toda a parafernália digital que segue junto incluindo sites de relacionamentos, só há seres humanos incapazes ou com preguiça de pensar.
Minha impaciência e antipatia perante às pessoas em geral tende cada vez mais a ficar enfandonha. Às vezes chego a ter medo de ser arrogante demais, mas isso logo passa quando vejo que não há como ter paciência com pessoas boba-alegres demais.
Sim a vida pode ser bela, e temos sim que vivê-las ofegantemente, mas cá pra nós, eu não gostaria de viver a minha vida toda, com altos porres com a “galera”, bracinhos pra cima, pulando e cantando refrão dando “love, love, love” pra você e pra todos...Muito menos ficar citando jargões “carpe diem” à torto e a direito.
O que eu quero dizer é que as pessoas perderam o hábito de raciocinar. Cansei de receber emails power points, [um porre!] carregado de ANACRONISMO. O triste é ter que ver personalidades ilustres sendo propagado de maneira terrivelmente sinistra.
Um grande exemplo são perfis de orkut que na ausência de criatividade, a pessoa, pateticamente resolve impressionar lançando mão ao citar uma beldade intelectual. O que está na moda agora é Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes, Sun Tzu, Arnaldo Jabor, Carlitos e lógico, não poderíamos deixar de fora o grandioso ópio dos pseudointelectuais, o nosso gran filósofo Friedrich Nietzsche.
Já vi citações com erros crassos de temporalidade, espaço e tudo o mais...Citações de Nietzsche sendo difundido por aí com a filosofia de que Deus é lindomaravilhosoeavidaqueelenosdeutambém. Já vi textos de Clarice Lispector se referindo a levar uma vida mais “light”, já vi Fernando Pessoa filosofando os relacionamentos fugazes, modernos e avançados demais para seu tempo, como se fosse colunista da revista Nova. [Acho que aí a confusão com Luís Fernando Veríssimo foi cometida]. Já vi Carlitos discutindo o “fico ou não fico”, a não ser que o confundiram também, e com Dom Pedro I. Só tá faltando eu ler um Romeu dizendo pra Julieta de Shakespeare um sonoro “você não vale nada, mas eu gosto de você!”
Pelamordedeus, caros disseminadores de pseudoculturas, vá estudar um pouquinho, ler livros ao invés de ficar googlando nomes “bonitos” para copiar e colar. Procurem ao menos saber em que época viveu o tal “ser ilustre” com nome impressionante e qual a ideologia dele. Não vomitem textos com muito amor à vida e a Deus através de nomes de personalidades ateus, niilistas, existencialistas...Antes de lançar mão de antologias pelo orkut, nicknames de msns dê uma pesquisadinha ao menos na veracidade da fonte.
O próprio Luis Fernando Veríssimo em uma publicação no Zero Hora fez uma nota por ter sido legado à ele errôneamete a autoria do texto ultramaçante do “QUASE”. Sim, aquele texto bem batidinho, fora de moda que recebemos pelo email que começa com aquela ladainha dos desiludidos não assumidos: "Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase".
Pior é aquele outro texto em que se diz que "DAR NÃO É FAZER AMOR". Cá pra nós, quem acharia, em sã consciência, que Luis Fernando Veríssimo partiria pra veadagem e escreveria: "Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas DAR é bom pra cacete." Isso partiu de um texto publicado na revista TPM, por Tatiane Bernardi.
Pois é, queridos pseudointelectuais leitores e disseminadores incautos de pseudoculturas, o mundo deve ter ruído para quem jurava de pés juntos que isso era de Luís Fernando Veríssimo.
Para os que ainda não aceitam clique
AQUI.
Ou digitem "Sarah Westphal" no Deus-Google do seu computador e sintam um pouco a sensação de castigo de se ter um par de orelhas de equus asinus bem merecedor por difamar celebridades.
E pensem, pensem um pouco antes de sair espalhando anacronismos mundo afora.

4 comments:

darkelf said...

Hum... Você esqueceu de Einstein... Dando lições de moral...

te amo....

Roman said...

Pra quê ler, estudar, buscar conhecimento, querida Tzan? Se é mais fácil colocar 500ml de silicone e ir modelar e desfilar os bíceps numa academia onde só tem trogloditas com cérebros de ervilha!
Infelizmente as pessoas valorizam mais a aparência que a inteligência. Hj as mulheres não querem aprender a cozinhar (não é machismo) não querem ler, buscar entretenimento artístico, não exploram mais a feminilidade...Sinto falta da verdadeira meiguice feminina, aquela que fala baixo,que ri com timidez, que prefere ficar na cia de um livro a um bando de espécies semelhantes num barzinho qualquer, a mulher caseira, a delicada, a verdadeira menina de família. Hj as mulheres se preocupam mais com a sexualidade que com a intelectualidade, preferem cultivar ou até comprar peitões e bumbum sarados à se dedicarem a uma boa leitura, uma boa educação, um bom curso. Mas esquecem que um dia essas coisas vão embora. E pior são os homens mais burros ainda que dão valor à esses lixos sem conteúdo. Homens e mulheres que não pensam, que não raciocinam, que são manipuláveis, que qd conversam parecem brincar de telefone sem fio, só repetição. Cheguei à conclusão que lixo atrai lixo. E o mundo caminha mesmo à um abismo ignorante.
Poucos são os que salvam nesse meio e vc, Tzan, é uma delas ao não sair propagando o hino das lôras-burras-orkuteanas com essas "pseudoculturas" impensáveis, irracionáveis e impraticáveis. Graças aos bons céus ainda vejo uma pequena esperança no mundo.

Baby said...

E eu achava taum meigo esses textos!
O Veríssimo deveria processar as pessoas que propagam que ele sai dando por aí, e pior, gostando! Ashuashua! =)

O império das causas perdidas said...

Vida boa, lendo Conte no litoral...

Praticamente uma Yoko Ono ;-P